Registo: Oct 14, 2004 Mensagens: 4448 Local/Origem: Capakirra
Colocada: Dom, 14 Fev 2010 - 13:11 Assunto:
30JAN2010
O Swell desceu. Não há campeonato em Pipe e o crowd está impossÃvel. O mesmo em Rocky Point. Mesmo ao lado, a onda de leftovers oferece uns tubinhos engraçados mas muito, muito razos. Resolvemos chekar V-Land (Velzyland).
Um dos havaianos, já com uns bons 50 anos faz de árbitro, literalmente. Nunca tinha visto tal coisa. O gajo tem uma malibu e apanha com mestria as melhores do set, deixa passar algumas e aponta. Aponta ora para a onda e assobia, a chamar a atenção, ora aponta para um surfista e manda seguir. Passam muitas ondas por ele e fazemos muitas ondas sem ligar muito à coisa, mas quando o homem assobia e aponta tudo cumpre. Sistema engraçado, fico a pensar se será algum membro dos antigos black trunks que faziam a lei nos melhores dias de ondas em V-Land.
A chegada a V-Land
Com a chegada de mais crowd resolvemos acabar a sessão. Estava feito o serviço e tinhamos entretanto planeado fazer a primeira visita a Honolulu e às suas famosas praias de Waikiki e Ala Moana.
Avançamos para waikiki, junto ao mar. Existem vários reefs bem fora, pejados de surfistas a desfazer 0.5mt de ondas e várias ondas nos reefs interiores. O paraÃso de longboards, canoas, SUP's e tudo mais que se pode meter na água.
Figura incontornável da história Havaiana, e do surf, o Duke Kahanamoku está presente um pouco por todoo o lado. Os havaianos têm grande orgulho neste herói nacional, e 3 portugueses em particular ficaram, ainda mais, grandes admiradores.
Junto à placa que conta parte da história e assinala o local da antiga casa do Duke
Registo: Apr 06, 2003 Mensagens: 5824 Local/Origem: Av. do Mar
Colocada: Dom, 14 Fev 2010 - 13:51 Assunto:
Estás na frente da corrida para "Melhor post do Inverno 09/10", e ainda nem acabaste. _________________ Do what you love and you'll never work a day in your life.
Registo: Oct 24, 2004 Mensagens: 7607 Local/Origem: Carcavelos/Évora
Colocada: Dom, 14 Fev 2010 - 18:15 Assunto:
Há muito muito tempo que não lia um tópico aqui no Atitude que me desse tanto prazer e me fizesse sonhar novamente!! Ainda nem vai a meio e já estou para aqui a babar desesperadamente à espera do próximo capÃtulo deste diário de "bordo"!!
PS: fico à espera da próxima postada!!
PPS: devo dizer que a descrição desta viagem não deve nada (muito pelo contrário) às crónicas que aparecem pelas revistas de surf cá do burgo, de quando em vez!
Registo: Oct 14, 2004 Mensagens: 4448 Local/Origem: Capakirra
Colocada: Seg, 15 Fev 2010 - 19:53 Assunto:
31JAN2010
O dia amanhece bastante cinzento, a prometer chuva. Seguimos a nossa rotina, que dificilmente se tornará monótona - checkar Pipe, e depois arredores...
Abrigados debaixo da tenda, Cunningham ao fundo na foto, qual emplastro no ombro do brother Leo
Fartos da chuva e com mais vontade de fazer surf do que ver os outros, resolvemos arrancar para o outro lado da ilha, Ã procura de um pouco de sol e de ondas mais amenas.
Mais uma vez escolhemos a onda de Tracks para a nossa sessão. O sol volta a brilhar e nem o swell pequeno nos desanima. O mar está glass, as ondas chegam a 1 mt nos sets e dá para matar saudades de um surf mais "hotdog".
Satisfeita a nossa vontade, e face às condições, optamos por dedicar a tarde a explorar um pouco mais de Honolulu. Concentramos as nossas atenções em Pearl Harbour, esse marco na história mundial.
Chegamos infelizmente muito perto da hora de encerramento, pelas 16h30, o que nos permite apenas observar parte dos monumentos. Este aperitivo apenas nos veio aguçar, e muito, a curiosidade e a vontade de visitar com mais tempo este espaço.
Um submarino sobrevivente do famoso bombardeamento
Com a ideia no power de Haleiwa não resistimos ainda assim a ver outras ondas pelo caminho. Alligators estava a quebrar com 3 pessoas, mas a onda era apenas um drop voador e um tubo rápido. Apenas...
Foram ainda umas horitas nisto. O canal, infalÃvel, devolvia-nos em total segurança para o pico e era lugar priveligiado para ver tartarugas. Cheguei a estar a menos de 1mt de um par delas.
Cheios de fome, resolvemos fazer logo ali em Jokos um picnic e aproveitar o sol. O cansaço da sessão e o embalo da Bud Light deixam-me KO e adormeço (adormecemos) literalmente no paraÃso.
Lá por ser surfista não quer dizer que não se aprecie arte... Weyland Galleries, visita obrigatória!
Um dia em cheio merecia um repasto de grande nÃvel. Jantamos no Joe's um delicioso fillet mignon bem regado com um tinto californiano - "Earthquake", nome sugestivo e bem agradável, com recomendação da nossa waitress de serviço: "I'm sure you're gonna to enjoy it".
Oh... yes I will (I would)
- um dia em cheio, North Shore no seu melhor, mágico. O Sol, o surf de grande nÃvel em Pipeline, as ondas excelentes, as tartarugas, amigos e fillet mignon?? Belisquem-me carago...
Ainda não tÃnhamos surfado qualquer pico deste trecho de costa, o mais conhecido do mundo, e começamos logo pela raÃnha. Só a decisão de ir provocou ansiedade, um brilho nos olhos e um sorriso silencioso...
Volto para o outside e nem 5 minutos espero para apanhar a segunda onda. Agora um pouco maior, mais umas rasgadas, estou a mil... O crowd vai tentando acompanhar o pico que oscila alguns metros ora para a esquerda ora para a direita. Não vejo nenhum dos temÃveis locais na água, mas há sempre uns mais afoitos, com cara de havaianos, direitos ao pico a dar voltinhas. Da prozada só identifico um dos manos Gadauskas.
Continuo em sintonia com o mar e confiante. Apanho mais 1 onda, tento encaixar e levo com a lipada nas costas. Uii pesada e com um belo arrasto. De volta ao outside faço um duckdive numa de 1.5mt e deixa-me debaixo de água mais tempo do que habitual. Pesada? Bolas, metam lá pesada nisso...
Consigo fazer mais 2 ondas, num total de 5. Talvez palermice, mas tenho-me sentido em sintonia com o mar toda a viagem, e hoje com 5 ondas de Pipeline no bucho, já estou por tudo.
"Bora lá experimentar Backdoor!!"
Drop tranquilo, parede imensa armada à minha frente, atraso com a mão e deixo a cortina cair por breves segundos. SaÃda sequinha, vira na base, rasgada a meio, a onda parece nem diminuir, a água fica branca e eis que ripa-na-rapaqueca!!!!
Tempo de abortar, saltar por cima de uma espuma que ainda dá pelo peito e que me manda com bilhete de ida direitinho ao calhau. Bam!! Welcome to backdoor!! Dassse...
Feridas tratadas, siga viagem, the show must go on. Não surfamos mais hoje e decidimos continuar a fazer história, desta feita dedicando a tarde a visitar Pearl Harbour.
(perdoa-me thundercat a intromissão. excelente relato, estas-nos a levar a todos lá, mas voltando ao assunto, isso não são feridas, são condecorações )
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