Desculpem o off topic, mas a partir de dia 28 vou 12 dias para os alpes suiços com uns amigos...: fazer alpinismo, escalar e dormir a mais de 3500 metros de altitude. Tambem vamos fazer outras actividades radicais, mas que para agora não importam.
Vamos para uma high adventure !
Já fui a foruns de montanha e apinismo, mas não tive respostas de nenhum.
Pensei que alguem aqui já poderia ter feito, ou conhece alguem que já tenha feito montanha, e me poderia dar uns conselhos gerais.
Toda a informação é pouca neste caso, visto que é a primeira vez.
Caso conheçam alguem que já tenha feito algo parecido e me possam dar o contacto, enviem PM. O resto, poderam postar aqui _________________ Carol. Act locally, think globally.
Registo: Nov 26, 2009 Mensagens: 673 Local/Origem: Setúbal
Colocada: Qua, 07 Jul 2010 - 19:50 Assunto: ...
Ja te dou o numero ou o mail de um amigo meu que é um viciado e costuma ir aos alpes etc etc sozinho loool... ele percebe muito disso!! _________________ Trilogy Surfboards / JANGA / D-code / SCS Surf Shop
Desculpem o off topic, mas a partir de dia 28 vou 12 dias para os alpes suiços com uns amigos...: fazer alpinismo, escalar e dormir a mais de 3500 metros de altitude. Tambem vamos fazer outras actividades radicais, mas que para agora não importam.
Vamos para uma high adventure !
Já fui a foruns de montanha e apinismo, mas não tive respostas de nenhum.
Pensei que alguem aqui já poderia ter feito, ou conhece alguem que já tenha feito montanha, e me poderia dar uns conselhos gerais.
Toda a informação é pouca neste caso, visto que é a primeira vez.
Caso conheçam alguem que já tenha feito algo parecido e me possam dar o contacto, enviem PM. O resto, poderam postar aqui
Espero que estejas a falar de uma viagem organizada com guias e roteiro especifico em que têm as paragens e rotas pre definidas. Não se deve menosprezar a montanha, mesmo! Caso tenham guias, podes perguntar directamente a eles. Anyway, posso adiantar que o mais importante em trekking, montanhismo ou alpinismo é mesmo a preparação. E isso envolve particularmente o material, que é talvez a parte mais importante. tens de investir em bom vestuário, botas, etc... se investigares um pouco descobres. Entretanto, procura tirar a carta de montaheiro, classe B que já envolve seguros inter-europa - vale a pena. Para além disso a federação pode ajudar-te com indicações de segurança e previsões.
Se tiveres dificuldade, posso tirar-te eu a carta de montanheiro, só que ficarias associada a um clube do Norte e não vejo necessidade disso.
Abraço e boa sorte.
ps: essas outras actividades radicais, agora é assim que lhe chamam?? _________________ «Sous les pavés, la plage»
Debaixo das pedras da calçada, está a areia da praia...
Editado pela última vez por PetervD em Qui, 08 Jul 2010 - 9:50, num total de 1 vez
Registo: Dec 01, 2009 Mensagens: 701 Local/Origem: Santa Cruz
Colocada: Qui, 08 Jul 2010 - 18:18 Assunto:
Obrigada! Vou entrar em contacto com o Placebo.
Sim, nós vamos pelos escuteiros.
Ainda não temos confirmados os monitores para o alpinismo, dai a minha procupação...
Estive à procura da carta de classe B e encontrei umas coisas bastante uteis, não sei se serão exactamente o que o PetervD se referia, mas ajudou...
Deixo aqui o email de resposta ao meu pelo contacto que o Mickey me deu (OBRIGADA!) porque acho bastante construtivo e pode ajudar-vos, mesmo que não seja hoje, um dia mais tarde...
Eu expliquei-lhe tudo e ele fez questão de me explicar tambem.
Citação:
Sou o Samuel Passos. Peço desculpa só responder a esta hora, tinha informado o André que responderia às dúvidas da parte da manhã, tal não foi possível.
Visto que as actividades dos escuteiros têm um orçamento reduzido para realização de actividades, eu acho que a melhor opção é apanhar o avião da easyjet ( http://www.easyjet.com/asp/PT/Reservar/index.asp?lang=pt) partida de Lisboa para Genéve (Genebra-Suiça). Esta página da Internet, tem a particularidade de se poder alugar um veiculo, pois fazem parceria com a empresa Europcar, que no acto da reserva dos bilhetes de avião, aparece mais para o fim a opção e a escolha de vários veículos da empresa Europcar.
Faço sempre assim todos os anos quando me desloco a qualquer montanha nos Alpes.
Como é óbvio, deverão alugar uma carrinha para as patrulhas/equipas.
Mas atenção, a reserva dos bilhetes de avião e a reserva de carrinhas são feitas através de cartão de crédito pela página da internet e no acto do levantamento da(s) viatura(s) no aeroporto de Genéve, a pessoa que pagou com o cartão de crédito deverá ser a mesma que terá que levantar a(s) viatura(s). É necessário escolher a pessoa que de certeza pode ir à actividade, se não correm o risco de não poderem levantar a(s) viatura(s).
Dentro da bagagem de mão que vos acompanha durante o voo, não poderão levar material de higiene, mais precisamente as embalagens de gel de banho e shampô e a célebre faca de mato ou o canivete suíço, pois ficará retido nas máquinas de raio x dos funcionários da segurança aeroportuária .
Eu costumo colocar o gel de banho,shampô, e o detergente para a lavagem da loiça tudo em pequenos frascos para não ocuparem muito volume e peso na mala que vai no porão do avião bem como o canivete suiço. Tenham atenção ao peso da mochila que vai no porão do avião e na mochila que vai convosco no avião. O limite de pesos das mochilas podem consultar durante a reserva de bilhetes na página da internet da easyjet. No fim de arrumarem tudo na mochila que vai no porão verifiquem o peso para não exceder o limite e tenham atenção também ao tamanho da mochila de mão não pode ser grande o ideal será uma mochila de 20 a 30 litros.
Muito importante: Não levem de Portugal as bilhas de gás comprem todas na Suiça. A pressão das bilhas de gás dentro do avião fariam provocar um acidente dentro avião.
Quando chegarem ao aeroporto de Genebra (Suiça), e finalizarem o processo de recolha da bagagem que vinha no porão do avião, vão em direcção à Europcar. A Europcar fica ao vosso lado direito quando se sai da zona de recolha de bagagens e caminham durante uns 50 metros, têm que passar por duas casas de banho primeiro dos homens e depois das mulheres. Depois das casas de banho das mulheres não virem logo na primeira à direita pois vão parar a uma zona de lojas é na segunda à direita e o balcão da Europcar fica a um canto.
Nessa mesma zona ao vosso lado esquerdo de quem está de frente para o balcão têm a saída e nessa mesma saída existe um autocarro de 5 em 5 minutos que faz a viagem para uma garagem onde estão parqueadas as viaturas das empresas de aluguer.
Era bom que um de vós leva-se um gps com mapas de estradas europeu para colocarem no carro alugado, para não perderem tempo com mapas durante a viagem até Kandersteg. Tirem as coordenadas no google earth e verifiquem em Portugal se as coordenadas batem certo com o local que pretendem ir para não correrem o risco de irem parar a outro sitio. Também é importante tirarem as coordenadas à saída da garagem onde tinham a(s) viatura(s) parqueadas para no regresso não se perderem na cidade de Genebra.
Também a titulo de curiosidade se quiserem tirar as coordenadas do vale de Grindelwald no google earth, façam-no, existe um pequeno museu alpino sobre a região e nesse mesmo sitio em termos do mundo do alpinismo é onde está localizada a famosa face norte do Eiger, montanha essa bastante badalada por ser uma face de difícil escalada que tantas mortes já provocaram e o primeiro a conseguir escala-la com sucesso foi o Heinrich Harrer o famoso alpinista representado pelo actor Brad Pritt no filme Sete Anos no Tibete.
Se pretendem fazer alpinismo (ascensão a algum cume), aconselho-vos vivamente a terem prática em progressão em Alta Montanha ( montanhas acima de 3000 metros) em que devem dominar a progressão em glaciares, encordamento em glaciares, auto-resgate em crevasses (fendas dos glaciares) utilizando a manobra de desmultiplicação de forças , auto-detenção com piolet em casa de queda numa pendente inclinada de neve ou gelo, saberem manusear o piolet, saberem andar com os crampons na neve e no gelo, saberem também abrigar-se em caso de emergência resultante da mudança repentina do estado do tempo que é bastante característico do ambiente de alta montanha. Pois estes locais são propensos a acidentes resultantes da falta de experiência. É pois sensato verificar se reúnem estas condições. Também poderão pesquisar na internet por guias de alta montanha naquela região e contratarem-no, pois são certamente pessoas credenciadas para vos guiar em alguma ascensão a um cume com toda a segurança.
Se forem fazer uma ascensão a um cume de uma montanha com neve (alpinismo) com o auxilio de um guia de alta montanha. A meu ver se não têm experiência é o melhor que têm a fazer e se assim for o material que devem levar por pessoa durante a ascensão é o seguinte :
Capacete de Escalada/Alpinismo.
Frontal (Mais pilhas suplentes).
Óculos de Montanha, muito importante ninguém se pode esquecer.
Passa - Montanhas.
1 T-Shirt Térmica.
1 Polar.
1 Impermeável ( Atenção não são os famosos ponchos azuis do C.N.E. , são os casacos impermeáveis.
1 Par de Luvas Polares de 1ª Camada.
1 Par de Luvas Impermeáveis de 2ª Camada.
1 Par de Calças de Alpinismo. ( Poderão também levar por baixo deste par de calças de alpinismo outro par de calças que se chamam calças polares de 1ª camada, para quem for mais friorento).
Meias de Alpinismo.
Botas de Alpinismo.
Polainas. (Têm que ficar um ou dois dedos abaixo do joelho de quem as vai usar)
Crampons. (Convém experimentar em Portugal e como são reguláveis é bom saber qual a medida a utilizar para não perderem tempo no local)
1 Piolet.(existem vários tamanhos, de acordo com o tamanho do elemento que o vai usar)
1 Arnês (existem vários tamanhos, convêm testar em Portugal antes de chegarem ao local, para não perderem tempo ou verificarem que não serve.)
1 Mosquetão de segurança, para amarrarem o nó de encordamento ao mosquetão que por sua vez está posto no anel do arnês.
1 Corda Simples de 50 Metros de Alpinismo (com a particularidade de ser impermeável, para não ficar muito pesada quando começar a ficar molhada por causa da neve/gelo) por 3 pessoas.
Cantil ou Camel Bag.
Mochila de Ataque (entre 35 a 45 Litros) é importante irem rápidos e ligeiros numa ascensão.
Barras energéticas.
Estojo de Primeiros - Socorros de Montanha (se acontecer alguma coisa o guia de alta montanha geralmente não gasta do seu mas sim do "cliente")
Protector Solar sem falta. Muito importante em montanha porque o Sol queima muito mais que num dia inteiro de praia.
Por uma questão de segurança era bom que por 3 elementos, um de vós levasse um chá e um fogão pequeno para que em caso de emergência exista uma bebida quente enquanto se espera por socorro, para a vítima não entrar em hipotermia.
Em termos de alimentação quando se está em montanha, eu como pacotes de frutos secos à venda nos hipermercados, sopas instantâneas, massas instantâneas, barras energéticas. Tenham muita atenção, bebam muita água pois a desidratação na montanha é muito perigoso.
Os chamados raid´s no contexto do Escutismo,adquirem outra designação e denominam-se Marchas de Montanha. Se querem fazer caminhadas em montanha (marchas de montanha), o material que devem usar é o que eu descrevi anteriormente e não é preciso levar:
piolet.
crampons.
capacete.
corda.
arnês.
Estas marchas de montanha já têm o percurso marcado e equivalem ao Pedestrianismo em Portugal, em França Randonnée, ou seja são percursos que estão marcados com setas a indicar para onde têm que virar ou o caminho a evitar, os pontos de interesse, sabe-se a distância do percurso, a duração do percurso. Geralmente estes percursos estão descritos em panfletos e que possivelmente o parque de Kandersteg deve ter na recepção, para que as pessoas possam visitar.
Aconselho a arranjar uma mapa da região, para que no caso façam a marcha de montanha, não se percam e uma bússola.
Em termos de preparação física, o que eu faço sempre é estar sempre em forma durante o ano inteiro, fazendo ginásio 3 vezes por semana na modalidade de cardio para ganhar resistência. Quando se aproxima uma ascensão nos Alpes, intensifico o treino.
Para treinar as técnicas invernais de montanhismo/alpinismo, vou bastantes vezes para a Serra da Estrela no Inverno.
Mas faz 12 anos este ano, que faço montanhismo/alpinismo e o ano passado escalei o Mont Blanc em França 4810 Metros.
Registo: Nov 06, 2008 Mensagens: 1489 Local/Origem: Aqui nasceu Portugal e ali avistei Ana
Colocada: Sex, 09 Jul 2010 - 8:57 Assunto:
Excelente Post Carolina.
Esse Samuel Passos passa uma energia contagiante quando fala de alpinismo, parecemos nós a falar de surf
Acho que o nome não me é estranho e até apostava que ele é monitor na federação.
Desse texto, acho que podes confirmar que realmente o importante para além da segurança, é a preparação. Ter alguém experiente no grupo é fundamental.
Desejo-te sorte e goza bem que eu fico aqui cheio de inveja... _________________ «Sous les pavés, la plage»
Debaixo das pedras da calçada, está a areia da praia...
Registo: Jun 06, 2005 Mensagens: 4028 Local/Origem: Maia
Colocada: Sex, 09 Jul 2010 - 11:13 Assunto:
o meu irmaõ antes de se aleijar no joelho fez muito (pertencia inclusive ao clube de montanhismo do Porto)
olha que ir assim num espirito de aventura sem qq experiencia nem material adequado pode ser desagradavel e perigoso.
fala bem com esse experiente senhor que te respondeu e ve se vale mesmo a pena... _________________ Ganha vendo anuncios!
http://www.neobux.com/?r=jorgius
Registo: Nov 26, 2009 Mensagens: 673 Local/Origem: Setúbal
Colocada: Sex, 09 Jul 2010 - 16:06 Assunto:
PetervD escreveu:
Excelente Post Carolina.
Esse Samuel Passos passa uma energia contagiante quando fala de alpinismo, parecemos nós a falar de surf
Acho que o nome não me é estranho e até apostava que ele é monitor na federação.
Desse texto, acho que podes confirmar que realmente o importante para além da segurança, é a preparação. Ter alguém experiente no grupo é fundamental.
Desejo-te sorte e goza bem que eu fico aqui cheio de inveja...
Nao é presidente de nada e nao pertence a nda lolol estranho nao é?
É um jovem que tem um espirito para as montanhas inagualavel, acho que ele por todo o conhecimento que tem deveria ser ...sei-lá maios reconhecido nao sei, mas ele como humilde e simpatico que é apenas se quer divertir e fazer o que mais gosta!
Sei que ele as vezes vem ver aqui o forum porque quando ele fazia serviços aqui na minha empresa eu estava sempre aqui no atitude e ele hoje em dia ainda vai dar uma vista de olhos, porque diz que adora ver o pessoal todo cheio de pica a falar sobre o surf etc etc...
Um grande obrigado ao AMIGO PASSOS... OBRIGADO MANO!!
Ah ja agora...o vivcio dele por montanhismo começou nos escuteiros !! _________________ Trilogy Surfboards / JANGA / D-code / SCS Surf Shop
Registo: Dec 01, 2009 Mensagens: 701 Local/Origem: Santa Cruz
Colocada: Seg, 30 Ago 2010 - 16:12 Assunto:
Mickey, já agradeci ao Samuel e enviei-lhe o blog em que fizemos um 'report' da viagem, com fotografias.
Para os que ficaram interessados, deixo aqui algumas fotografias que sabem a pouco comparadamente com o que se sente depois de lá estar...
São fotografias (que não estão por ordem) da subida a Lotschenpass e a passagem pelo glaciar...
O abrigo, em que da janela dos 'quartos', estavamos a cima do nivel das nuvens e onde comemos um pequeno almoço na rua enquanto estava a nevar ...
e por ultimo... a casa de banho do abrigo:
_________________ Carol. Act locally, think globally.
Registo: Nov 26, 2009 Mensagens: 673 Local/Origem: Setúbal
Colocada: Seg, 30 Ago 2010 - 16:17 Assunto: Foooogoo
Lindoooo a serio fogo, deve ser espectacular... altas fotos Carol ... espero que o contacto que te dei do Samuel vos tenha ajudado ... ta muito fixe de certeza que se divertiram muito ...
Registo: Dec 01, 2009 Mensagens: 701 Local/Origem: Santa Cruz
Colocada: Seg, 30 Ago 2010 - 17:02 Assunto:
DiogoPedroso escreveu:
Isso não se chama de Trekking? ou montanhismo .
Não é escalado pois não?
Montanhismo. Este hike não foi escalado (apesar de existir algumas fases em que mais parecia que estavamos a escalar porque só tinhamos 5cm onde pousar o pé e era muito, como se diz, 'a pique' ). Mas para descer no dia seguinte, uma parte ou outra foram feitas em rapel.
E fizemos um outro hike (falha-me agora o nome do cume que era), em que fizemos escalada durante a caminhada.
Nas mochilas levamos a 'ração', os agasalhos e o material de escalada porque nunca sabemos se vai ser preciso mesmo que não esteja na ideia.
Por exemplo, neste que meti as fotos surgiu uma situação em que os musquetões, as cordas e os nós nos deram bastante jeito porque quando estavamos no glaciar e parámos para comer um quadradinho energético de marmelada, uma das mochilas caiu e um do nosso grupo, como reflexo, mandou-se para a apanhar e foi a escorregar por ali a baixo (sorte que até ia direito), então ele subiu a 'fazer escalada'. _________________ Carol. Act locally, think globally.
Registo: Dec 01, 2009 Mensagens: 701 Local/Origem: Santa Cruz
Colocada: Ter, 31 Ago 2010 - 12:16 Assunto: Re: Foooogoo
mickey escreveu:
Lindoooo a serio fogo, deve ser espectacular... altas fotos Carol ... espero que o contacto que te dei do Samuel vos tenha ajudado ... ta muito fixe de certeza que se divertiram muito ...
Parabéns!
Obrigada Mickey!
Deu bastante jeito e eu já lhe respondi, com o blog do report que fizemos (em que tem as altitudes e a viagem com mais detalhes).
Já lhe disse, e ele agradeceu, que tem aqui um Agrupamento disponivel para qualquer coisa em que precise de 22 pares de mãosinhas disponiveis.
Jorgius escreveu:
bem vinda de volta a terra firme
pelas fotos deve ter sido um passeio espectacular, espero que tenhas gostado
Obrigada, é bom estar de volta... não à terra firme, mas a terra com ONDAS perto!
Foi excelente, gostei imenso.
Gostei até de coisas simples, como o ar que se respirava, as quedas de água na montanha que se viam quando acordavamos, as noite com o céu carregadissimo de estrelas a tocar viola, a convivencia com pessoas de outros paises, ...
Ainda bem que gostaram das fotos! _________________ Carol. Act locally, think globally.
Registo: Dec 01, 2009 Mensagens: 701 Local/Origem: Santa Cruz
Colocada: Sáb, 02 Out 2010 - 23:54 Assunto:
Já faz algum tempo que estava para escrever este texto.
Tinha e tenho, uma vontade gigantesca de o ver escrito.
Queria ver as letras pousarem no papel enquanto a água se arrumava nos meus olhos quando relembro algumas passagens, algumas imagens.
Não o escrevi mais cedo porque tinha medo de não conseguir, de caneta na mão, produzir algo tão astronómico quanto esta viagem.
Tenho medo de que, quem vá ler, não consiga sentir o pulsar do coração um pouco mais forte ou uma vontade indubitável de… alcançar.
Depois, hoje e agora, percebi que é impossível conseguir que quem leia, veja exactamente as mesmas imagens que eu, sinta o que eu senti.
Apesar de considerar que é quase obrigatório acompanhar estas letras (principalmente estas) com algumas fotografias, é quimérico que consiga transmitir o sol na pele, o ar nos pulmões, a terra dentro das botas, o cansaço, o gosto…
Mas está tudo no sítio, espero eu, para quem quiser visitar!
Se vos disser que neste momento tenho uma explosão de sentimentos dentro de mim, acreditariam? Sinto-os misturarem-se, confundirem-se, e competirem para se fazerem ver.
O arrepio do vento, o brilho no olhar ao contemplar a cativante vegetação, o toque do ar, do gelo, da neve, da rocha…
A Natureza tal como ela é. A Natureza sem interposição do homem.
É um pouco irónico que o homem ainda procure estes espaços e se submeta a certas situações para os viver.
Mas existem homens e Homens, é um facto.
Antes de partir, de mochila incorporada, não sabia bem o que me esperava.
Estava feliz mas não conseguia estar ansiosa.
Agora posso dizer-vos, com toda a minha verdade, que eu não sabia mesmo o que me aguardava.
O dia começou bem cedo (6h30).
O hike até ao abrigo de Lotschenpass, a 2700m de altitude, era o esboço já à muito sonhado por mim e pelo meu grupo.
Digo “esboço” porque acho indecente chamar às expectativas que tínhamos em mente, o projecto da viagem que nos esperou.
Esta extravagância, porque a jornada superou muito as nossas expectações.
Tornou o sonho num esboço para a realidade utópica que tivemos oportunidade de viver.
Passo a passo, com muita conversa e cantares pelo trilho, fomos subindo e tentando aproveitar tudo o que a vida, de vivo, nos estava a oferecer.
Adoraria descrever-vos cada gota dos riachos que fomos encontrando pelo caminho.
Adoraria que os textos tivessem aroma, que as letras se movessem e desenhassem cada particularidade a que fui tomando atenção.
Adoraria também, que as virgulas e os sinais de pontuação se tornassem notas de uma melodia e que tocassem harmoniosamente para quem ler esta recordação.
Como se de um maravilha privada se trata-se.
No fundo, foi um pouco isso que aconteceu com todos nós. Ninguém viveu a mesma viagem que eu.
Cada um levantou a sua tela, escolheu as tintas e os instrumentos, montou um palco com o cenário que bem entendeu e deixou que isso tomasse o comando da sua vida por 48 horas.
Cada um tem a sua forma de caminhar, o seu ritmo.
Ora, agora tentem acompanhar o meu…
Em cada 10 metros via uma queda de água nas montanhas. Ali, é o paraíso dos pássaros e de qualquer outro ser que viva em liberdade.
Cada centímetro era pensado, desenhado, apagado e pintado de novo para ficar perfeito.
Muita vegetação, erva no solo, cascatas, e neve ao fundo – servindo sempre de meta e corpo de comparação – recheavam a paisagem dos que pé ante pé, com mais ou menos dores, agiam para o mesmo.
Nesta viagem vinham-me muitas músicas à cabeça, daquelas que começam devagar e vão cada vez encaixando mais instrumentos: as folhas amarelas, laranjas, a madeira castanha, branco, o lilás das flores, amarelo…os caminhos construíam-se por onde não havia caminho.
Ali, nenhum lugar parecia perto. Ali, a beleza nunca nos alvorava.
Era tempo de me refugiar com a minha própria energia. Sentia-me em casa.
Por engano, vimo-nos obrigados a trespassar um rio para a outra margem, o que, na altura não representou (pelo menos para mim) grande problema.
Todos estavam a aceitar e encarar o que nos ia aparecendo com naturalidade.
Então, quatro de nós voluntariaram-se para segurar em varas e ajudar o resto do grupo a passar.
O grupo, devagarinho, foi pondo os pés nas pedras, agarrando-se uns aos outros e lá conseguiram. Primeiro as mochilas, depois o resto.
Todos eles estavam completamente apagados do resto do mundo naquele momento, conseguia notar isso nos risos, nas expressões.
Todos, incluindo eu, estávamos a viver apenas aquele momento.
Apesar de parecer egoísta, acho que ninguém se lembrou da família, dos problemas na cidade natal, dos compromissos, nem sequer tinha pensado bem nas pessoas com que estava, se eram os melhores amigos, se não eram… nada importava a não ser o “agora”.
No meio do nada, sabíamos para onde ir. E, no meio do nada, a vegetação começava a desaparecer enquanto a rocha tomava domínio do nosso caminho.
Engraçadas as relações que fui sentido com alguns animais (dos mais pequenos aos maiores) que se cruzavam comigo no caminho.
Eles pareciam saber exactamente para onde iam, pareciam conhecer todo aquele mundo de trás para a frente e de frente para trás, pareciam não me estranhar como visitante.
E as coisas iam acontecendo no resto do cosmos, enquanto nos estávamos ali, no meio da ninharia, no centro de tudo. Era tempo de rever.
No caminho pelas rochas, já se ouviam alguns respirares mais esbaforidos, já se notava uma certa ansiedade em chegar.
Eram estranhas, para mim, as diferenças no estado de humor das pessoas: tanto estavam ansiosas por chegar, tanto estavam tristes por estarmos cada vez mais perto e não queriam sair da viagem, tanto queriam correr, tanto queriam parar, tanto falavam como estavam caladas.
Era notório o espírito de equipa, a amizade (ou necessidade, como entenderem…)!
Ninguém julgava ninguém por estar mais para trás.
E, apesar de o grupo se ter afastado um bocadinho entre vários ‘subgrupos’, continuavam todos ligados, continuava a existir uma preocupação mútua.
Por vontade própria, decidi ficar mais para o fim.
Primeiro, porque não me sentia cansada e o facto de ir à frente ia dar-me vontade de andar ao meu ritmo, dessa forma perdia um bocadinho o contacto com as pessoas.
Segundo, porque adorava parar quando queria (e voltar para trás, muitas vezes), só para ver mais uma vez aquela paisagem, para ter o prazer de tocar com calma, para ter tempo de sentir.
O grupo que estava comigo foi apanhado por um nevoeiro muito intenso e rapidamente adoptamos uma técnica muito eficaz.
Passo a tentar explicar: cada um gritava o seu nome se não via ninguém, e ai, ninguém se mexia (porque o da frente era sempre o guia do de trás).
Quando já conseguia ver, comunicava, e todos avançavam mais um pouco.
Em último, estava uma amiga aleijada de um pé e essa era a nossa maior preocupação, não era o facto de demorarmos mais ou menos tempo, de perdermos o ‘batalhão’.
Finalmente… o glaciar!
Encontrámos muito pouco gelo na geleira (muito pouco, para um glaciar, está claro).
E ai, acho que todos, no seu interior, pensaram nos papéis que deitaram no chão, na poluição dos seus carros, das queimadas, das fábricas…
Como depois de tanta subsistência, estávamos perante um local tão apagado.
Eu lembrei-me dos ursos que vêm as suas casas cada vez mais pequenas, e matutei como seria se cada vez que o homem fosse trabalhar, chegasse a casa e esta estivesse um pouco mais pequena… chegando ao dia em que não conseguiria caber pela porta e morreria à fome na rua.
Notavam-se os rasgos nas paredes antes geladas, notava-se a existência de algo passado mas não conseguia produzir a imagem de como era.
Todos os senhores que se sentam confortáveis nas suas cadeiras almofadadas, e imaginam projectos gigantescos, sem pensar nas consequências, deveriam ir ali, pelo menos uma vez na vida.
Alias, toda a gente devia ter a possibilidade de passar o que passei durante toda a andança daqueles dois dias.
Olhava para os efeitos naquele curto espaço e calculava, como será o resultado de toda esta despreocupação, no seu todo.
Adorei sentir o molhado da neve nas minhas mãos.
No fim de uma parte do glaciar, ao invés de olhar para a frente e ver o meu caminho, tinha de começar a pesquisar para cima se o queria antever.
Começava a tornar-se quase como uma escalada e não uma caminhada. Agora, cada passo era ainda mais pensado.
Já estávamos à altura de muitas nuvens, já as víamos mesmo à nossa frente, já estávamos mais perto, com certeza!
As imagens falavam por si, todos sabíamos que todos estavam a honrar o mesmo.
Muitos ‘reis do mundo’ nunca sentiram o que nós sentimos, nunca viram o que nós vimos. O dinheiro não traz felicidade. Pode ajudar, claro. Seria impossível estarmos ali sem ele.
Mas quando falo de ‘dinheiro’, neste caso, estou a referir-me a todo aquele conforto cobiçado por muitos. Todo aquele luxo fictício do povo em geral.
Muitos trabalham e suam para um dia poderem estar sentados na cadeira mais confortável e terem um grupo de submissos a servirem-nos, para não terem de se mexer.
Para muitos, para a grande maioria, o luxo está no conforto.
Para mim, vale muito mais a pena estar ali, longe do acessível, do conforto, do luxo, dos computadores e do facilitismo.
Se ainda não viveram nada assim, não compreenderam, de certo, a felicidade que pode dar a alguém estar no meio do nada, sem praticamente nada, para chegar a um nada um pouco mais longe.
Um nada, como quem diz… nada para quem não está. Tudo para os que estão. É casual.
Mais tarde, e do nada, já se vê um abrigo.
Chegámos, por hoje.
Entrámos e reparei nas outras, poucas, pessoas que lá estavam. Fiquei contente por as ver. Alguém que também procurou o mesmo que eu.
Estavam ali para se recolherem do resto. Não quis incomodar.
Os sapatos ficavam no andar de baixo e os quartos colectivos eram no andar de cima. Da janela, notava-se bem que estávamos acima do nível das nuvens.
Quente. Calor. Era a primeira vez que sentir calor desde que sai do campo e comecei a subir.
Era impressionante como a única coisa de que precisávamos no momento, era uns dos outros. Não havia melhor jogo, melhor livro, melhor televisão, do que nós mesmos.
E à noite, quando me sentei na mesa para o jantar é que me lembrei dos que estariam, possivelmente, em casa.
Eu estava ali, não sei bem descrever onde, e a minha família, alguns dos meus amigos, continuavam a fazer as suas vidas normais.
Será que também se lembrariam de mim à hora do jantar? Será que também estavam a tentar imaginar como estaria a ser daquele lado?
Não sentia saudades, estava com demasiada fome para isso.
Mas gosto deles, reverencio-os. Noto-o quando me lembro.
Queria saber, naquele preciso momento, se estava tudo bem para os lados de lá, mas era impossível. Convencia-me de que sim. Também é bom lá estar, é certo.
7h00 da manhã. Acordávamos nós, no abrigo, e preparávamo-nos para começar a tomar o pequeno-almoço.
Em Portugal, quando temos a convicção de que algo é impossível, costumamos dizer “É tão provável como nevar em Agosto” (ou, pelo menos, parecido).
Pois, era pleno Agosto, e estava a nevar. Estávamos a comer na rua, porque não era permitido cozinhar dentro do abrigo.
Quando pousava a caneca de chá quente na mesa, esta congelava por completo.
Atirávamos bolinhas de gelo que fazíamos com a neve que caia.
Não podia deixar de achar piada ao panorama que estava a coabitar.
A casa de banho ao lado do abrigo, pequenina e construída em pedra, era no mínimo, bastante caricata.
Depois de acabarmos de comer, verificámos o material e preparámo-nos para começar a descida.
Apesar de ser mais rápido descer, para mim, era também um pouco mais perigoso. Escorregava-mos mais, tínhamos de ter mais cuidado. E ainda foram muitos os sustos que apanhamos com ‘fauna local’ que decidia atravessar-se à nossa afrente, sem meter os piscas ou buzinar.
O caminho era quase o mesmo, mas ao adverso.
Se antes partíamos da vegetação para a rocha, ora agora partíamos da rocha de novo à vegetação.
As dores de ontem, tinham desaparecido. Afinal, para baixo todos os anjos ajudam!
Descíamos mais repletos.
Os que subiram não eram as mesmas pessoas que desciam. Ou melhor, eram os mesmos, mas aperfeiçoados.
Uma hora depois de deixarmos a aventura para trás, chegávamos à vila Ferden onde almoçamos e apanhamos o autocarro até Goppenstein.
Na viagem de autocarro cheguei a comentar, com quem se encontrava ao meu lado direito, que achava, de certa forma, estranho que os habitantes encarassem tudo aquilo com uma enorme naturalidade.
Estranhava a forma como banalizavam as quedas de água que voltaram a aparecer, as grutas, as casinhas em madeira com frases escritas por cima da porta, as montanhas, a neve…
Mas compreendia. Também nós não damos o devido valor ao lugar onde vivemos.
Em Goppenstein, fomos de comboio até à vila de Kandersteg e depois a pé até ao acampamento.
Não se pode pedir melhor noite do que as passadas no bivaque.
Nunca tinha visto, nem nunca mais vi, um céu tão carregado de estrelas.
Mas lá, era assim todas as noites. Parada dez minutos a olhar para o céu, conseguia ver pelo menos umas quatro estrelas cadentes.
Acho que o céu era tão enfeitado que, por vezes, parecia que chegava para me iluminar.
Deitava-me no chão, com as mãos a segurar a cabeça e ficava a olhar para aquele deslumbramento.
Não conseguia, e ainda não consigo, fazer uma retrospectiva digna da aventura.
Quando mais damos, por regra, mais recebemos. E eu dei muito de mim, é um facto.
Mas ainda hoje, devo muito mais a Lotschenpass do que Lotschenpass a mim.
Devo-lhe um bocadinho do que serei para o resto da minha vida.
Devo-lhe a experiencia, a aprendizagem. Devo-lhe a oportunidade.
Devo-lhe incumbência. _________________ Carol. Act locally, think globally.
Parabens Carolina, pelo teu texto percebo que descobriste o que muita gente não descobre numa vida, que as melhores coisas da vida ainda são grátis.
Infelizmente vivemos numa sociedade que perdeu o contacto com a Terra, em o Ter se sobrepos ao Ser, não conta quem sou mas o que tenho. A pressão que nos é colocada em cima desde o dia que nascemos , por esta sociedade dita "civilizada", é tal que vivemos nestas grandes cidades oprimidos, infelizes. Muitas pessoas nem o sabem, envoltas nas ilusões dos dia a dia, perseguindo o objectivo de carro novo a cada 3 anos.
Muitas dessas pessoas não percebem, como é que um jovem como eu ( e outros ), felizmente e até ao momento sem problemas financeiros, meia volta desaparece uns dias com meia duzia de trapos dentro de uma mochila e vai viver como se de um nomada se tratasse, e de cada vez que regressa volta uma pessoa diferente. Mas acho que tu já sabes... _________________ Cumprimentos,
Sérgio B.
Excelente Post Carolina.
Esse Samuel Passos passa uma energia contagiante quando fala de alpinismo, parecemos nós a falar de surf
Acho que o nome não me é estranho e até apostava que ele é monitor na federação.
Desse texto, acho que podes confirmar que realmente o importante para além da segurança, é a preparação. Ter alguém experiente no grupo é fundamental.
Desejo-te sorte e goza bem que eu fico aqui cheio de inveja...
Nao é presidente de nada e nao pertence a nda lolol estranho nao é?
É um jovem que tem um espirito para as montanhas inagualavel, acho que ele por todo o conhecimento que tem deveria ser ...sei-lá maios reconhecido nao sei, mas ele como humilde e simpatico que é apenas se quer divertir e fazer o que mais gosta!
Sei que ele as vezes vem ver aqui o forum porque quando ele fazia serviços aqui na minha empresa eu estava sempre aqui no atitude e ele hoje em dia ainda vai dar uma vista de olhos, porque diz que adora ver o pessoal todo cheio de pica a falar sobre o surf etc etc...
Um grande obrigado ao AMIGO PASSOS... OBRIGADO MANO!!
Ah ja agora...o vivcio dele por montanhismo começou nos escuteiros !!
Boa Tarde
É verdade caro André o meu vício começou em 1998 nos escuteitos numa actividade na Serra da Estrela durante as férias do Carnaval. Descobri estes posts sobre a minha pessoa por acaso numa pesquisa pelo google e acabei por me inscrever neste forum Espero que esteja tudo bem contigo e com a escuteira Carolina.
Já criei um site na net www.somontanha.net
Com os melhores cumprimentos,
Samuel Passos.
P.S. A honestidade e a humildade são grandes virtudes que deveriam ser praticadas por muitos mais seres humanos.
Um abraço deste vosso amigo distante mas que não esquece quem conhece ao longo desta curta passagem na Terra.
Registo: Dec 01, 2009 Mensagens: 701 Local/Origem: Santa Cruz
Colocada: Ter, 03 Mai 2011 - 15:30 Assunto:
Samuel, obrigada por tudo
Notei que tens uma secção de 'testemunhos' no site.
Se quiseres porde meter lá as fotos da ida a Kandersteg, o texto que escrevi e o blog da viagem.
Estás à vontade para usar o que quiseres e para pedires a ajuda que quiseres a esta comunidade pioneira.
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